Brasiliense que procurou unidades de saúde foi a maior vítima da paralisação de servidores
O
brasiliense pode esperar mais um dia caótico em 7 de outubro, data marcada para
a próxima manifestação dos servidores públicos, como o que ocorreu ontem. Desde
o início da manhã, a população sentiu os reflexos do protesto no trânsito. Ao
longo do dia, os problemas se espalharam pelas escolas públicas que não tiveram
aulas e nos atendimentos do Na Hora (Leia mais na página 23). Contudo, o
problema maior se instalou nos hospitais e unidades de pronto de atendimento
(UPAs). Pacientes tiveram que voltar para casa sem atendimento e as consultas
agendadas acabaram desmarcadas. Nem os casos extremos receberam prioridade.
As seis UPAs do DF recusaram pacientes. Nesses
locais, a maioria dos profissionais são de contratos temporários e o baixo
número de médicos ficou ainda mais acentuado com a paralisação. No Recanto das
Emas, as recepcionistas avisavam que não havia médicos. “Não tem como atender.
Volta amanhã ou procure os hospitais”, disse uma delas, que recusou atendimento
a uma mulher após queda.
Nos hospitais, porém, a situação não era tão
diferente. No Gama, a movimentação de pacientes se manteve intensa durante todo
o dia. A maioria das pessoas da unidade permaneceu na sala de espera por mais
de 7 horas. Nem os tratamentos agendados tiveram continuidade. O auxiliar de
pedreiro José Vale Cassiano de Sousa, 39 anos, caiu de uma altura de 3m há um
mês e teve que colocar parafusos na perna. Desde de o início dos cuidados
médicos, ele é assistido pelo Hospital Regional do Gama (HRG), mas ontem, mesmo
com o agendamento, não pôde ser atendido. “Estou com muita dor. Hoje (ontem),
cheguei aqui às 6h com a expectativa de ser atendido às 7h, como estava marcado
há duas semanas, mas acabei sem ser recebido”, queixou-se o morador de Santo
Antônio do Descoberto (GO).
Na emergência, no ambulatório e no pronto-socorro
infantil, os atendimentos estavam suspensos. No caso da pediatria, havia
dezenas de crianças aguardando a consulta. Apesar de na escala de plantão
aparecerem três nomes, segundo pacientes, apenas um atendia por volta do
meio-dia. “Não tenho previsão para sair daqui”, pontuou a estudante Karine
Santos Muniz, 22, que acompanhava o sobrinho Júlio Victor, 5, que estava febril.
Em Ceilândia, região administrativa mais populosa
do DF, 3 mil servidores cruzaram os braços. A UPA e vários centros de saúde
fecharam as portas. A adesão à paralisação na cidade atingiu metade dos funcionários,
segundo estimativas do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços
de Saúde (SindSaúde-DF). Sem opções, a população recorreu ao Hospital Regional
de Ceilândia (HRC). “O governo só sabe agir na hora de aumentar impostos e
cortar direitos dos servidores públicos” gritou uma mulher revoltada, ao deixar
a emergência do HRC.
Angústia
O Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) fechou
as portas. A cuidadora de idosos Maristela da Silva Moreira, 65, precisou de
quatro conduções para chegar à unidade de saúde. Ela gasta 1 hora e 40 minutos
do Novo Gama (GO) à cidade. Ontem, Maristela ficou angustiada com os avisos
sobre a suspensão de serviços e marcação de consultas — algumas disponíveis
apenas em novembro. “Como faz numa situação dessas? E se chegarem pessoas
morrendo? Este é o momento de o governo repensar as políticas e perceber que o
cidadão está sendo penalizado demais”, questionou. Os poucos servidores que não
aderiram ao movimento se encontravam nitidamente incomodados com a situação. No
Hospital Regional de Samambaia (HRSAM), vigilantes, enfermeiros e médicos não
recebiam mais pacientes às 11h. “Não tem como trabalhar desse jeito”,
argumentou um recepcionista.
Por Otávio Augusto / Correio Braziliense
Brasiliense que procurou unidades de saúde foi a maior vítima da paralisação de servidores
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sexta-feira, setembro 25, 2015
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