Grupo planeja novas manifestações em protesto contra o aumento de tarifas no transporte
Jornal de Brasília - Depois da manifestação
contra o aumento das tarifas do transporte público, ocorrida
na última sexta- feira, novos protestos estão por vir. E a previsão é de
que a Rodoviária do Plano Piloto não seja o único ponto de encontro. O
Movimento Passe Livre (MPL) decidiu incentivar, por meio das redes sociais,
ações descentralizadas. O objetivo é fazer com que ocorram várias ações ao
longo da semana, em todas as cidades do DF. Um ato está marcado para a
próxima sexta-feira, no mesmo local da primeira ação.
Os novos valores
começaram a vigorar no último domingo, mas tiveram maior impacto ontem,
primeiro dia útil após a medida. Nas paradas de ônibus e estações do metrô,
a insatisfação era visível. O aumento faz parte do pacote de medidas do
Governo de Brasília para equilibrar as contas.
A assistente
administrativa Débora Gomes, 24 anos, utiliza o Expresso DF todos os dias e
acredita que o novo preço vai pesar muito no orçamento. “O impacto foi
tremendo. Infelizmente, não temos um transporte de qualidade. Trocaram a frota,
mas reduziram linhas, e, hoje, o passageiro é obrigado a esperar muito mais
tempo”, afirmou.
Segundo Débora, o
tempo que ela gasta na parada de ônibus é quase o mesmo que o Expresso DF leva
para chegar a Santa Maria: cerca de 40 minutos.
Rafael Almeida, 22
anos, universitário, também é usuário do Expresso DF e conta que gastava R$ 15
para ir e voltar de Santa Maria a Planaltina. Hoje, ele precisa sair com pelo
menos R$ 20. “Esse aumento pesa para todo mundo, mas principalmente para
mais pobres. No final do mês, vão ser uns R$ 70 a mais. Estava pensando em
começar um cursinho, mas fica complicado”, avalia.
Despesa
inevitável
O economista José
Luiz Pagnussat concorda que quem mais sofrerá com o aumento serão os mais
pobres. “Infelizmente, essa medida afetará diretamente quem tem o orçamento
menor, o que é um grande problema. Gasto com transporte é uma despesa
inevitável e as famílias mais humildes não têm como reduzir ou tirar isso do
orçamento”, explica.
De acordo com
Pagnussat, o que as pessoas podem tentar fazer é reduzir gastos menos
necessários. “Apertar o cinto é necessário. Então, é viável analisar o que é ou
não importante e diminuir gastos, seja economizando água ou cancelando a TV a
cabo. Uma dica é diminuir gastos com restaurantes e, se for ao cinema,
por exemplo, preferir os dias mais baratos”, aconselha.
O especialista
avalia que, se o aumento fosse feito de maneira escalonada, com um aviso prévio
à população, ficaria mais fácil para o brasiliense se organizar. “O
valor de reajuste em si foi muito alto e poderia ter sido bem
menor. Já que o governo decidiu aumentar, o mais indicado seria reajustar as
tarifas de acordo com uma programação. Primeiro as linhas de R$ 3, depois as de
R$ 2, e assim sucessivamente. O impacto seria menor”, destaca.
Fim de semana
mais caro
Quem utiliza o metrô
também foi afetado com o aumento, e o valor vai pesar no bolso. Com o reajuste,
a passagem dos fins de semana, que era reduzida e custava R$ 2, sobe para R$
4.
O pedreiro Divino
Conceição, de 46 anos, está indignado com o reajuste das passagens. “Todo mundo
que precisa trabalhar vai sentir o aumento no bolso. O que me deixa mais revoltado
é que não temos opções. Não dá para ir de carro porque o valor da gasolina é
altíssimo, não tem estacionamento suficiente. E de bicicleta também não tem
jeito porque faltam ciclovias ligando as cidades ao Plano Piloto”, lamenta o
trabalhador.
Divino costuma levar
a bicicleta no metrô para utilizar no trajeto entre a Rodoviária do Plano
Piloto até a Esplanada dos Ministérios.
O pedreiro diz se
sentir sem alternativas e conta que, agora, será obrigado a reduzir os passeios
com a família por conta do reajuste nas tarifas de ônibus.
Economia
Quem também terá que
cortar os gastos daqui para frente é o estudante Matheus Amaral, de 18 anos.
Ele costumava utilizar os trens todos os fins de semana para sair com os
amigos. “Esse aumento fez grande diferença e vai pesar muito, porque, no sábado
e no domingo, o preço dobrou. Vou ter que economizar mais em outras coisas para
poder ter dinheiro para as passagens”, relata.
Desemprego
Wesley Lorran, 22
anos, auxiliar de cinema, acredita que o aumento das passagens vai deixar
muitas pessoas desempregadas. “A empresa em que trabalho já está cortando
funcionários que precisam utilizar mais de um ônibus para chegar. Infelizmente,
morar longe vai ser um fator que prejudicará o trabalho de muita gente. O
desemprego vai aumentar por causa desse reajuste abusivo”, afirma.
Na opinião da
auxiliar de serviços gerais Maria Tereza Xavier, 50 anos, se for para o cidadão
pagar mais caro, o transporte precisa ser rápido, de alta qualidade e
corresponder ao aumento que passa a vigorar a partir de agora.
Muitos foram
pegos de surpresa
No fim do
expediente, por volta das 18h, a Rodoviária do Plano Piloto estava lotada de
passageiros indignados com o aumento no preço dos bilhetes. Muitos, inclusive,
foram pegos de surpresa. Maria de Fátima da Silva, 32 anos, contou que soube da
mudança na madrugada de domingo ao pegar um ônibus para o trabalho.
Moradora de
Planaltina, ela afirmou que, em vez de pagar R$ 6 por dia, agora, terá que
desembolsar R$ 8, o que somará mais de R$ 200 por mês, já que ela também
trabalha aos sábados e em alguns domingos. "Para quem tem um salário de R$
800, qualquer despesa extra pesa muito. Minha vontade é de chorar",
lamenta Maria.
Ela ressalta que
apenas uma melhora na qualidade do serviço justificaria o aumento. "Mas
não é o que acontece. Não temos ônibus suficientes, e os que existem estão em
péssimas condições. Todo dia, eu vou e volto para casa em pé.”
O comerciário Elvio
de Sousa Costa, 45 anos, também não estava sabendo do acréscimo no valor.
Morador de Planaltina, ele relatou que passará a gastar R$ 190 por mês com o
transporte, sendo que antes pagava R$ 160: "Esse reajuste é uma falta de
respeito com a população. Estamos de mãos atadas”.
Saiba mais
No início da tarde
de ontem, leitores do Jornal de Brasília relataram problemas na distribuição de
senhas para atendimento no posto do DFTrans, na Galeria dos Estados.
Segundo relatos de
usuários, por volta das 14h30, as senhas para novos atendimentos foram
encerradas sem qualquer explicação, ocasionando longas filas no posto do
DFTrans.
O DFTrans informou
que houve uma intermitência no serviço de internet no posto do Sistema de
Bilhetagem Autmática (SBA), na Galeria dos Estados, e que a distribuição de
senhas foi suspensa temporariamente até que o serviço fosse reestabelecido.
O órgão acrescentou que técnicos da autarquia foram até o local e logo o
atendimento foi retomado e todos os usuários que aguardaram foram atendidos.
Jurana Lopes e Manuela Rolim / Jornal de Brasília
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Reviewed by Diário de Ceilândia
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terça-feira, setembro 22, 2015
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