Sem cirurgia, bebês de Ceilândia lutam para sobreviver
[Agência Brasília] Para muitos recém-nascidos, a
luta pela vida começa cedo — assim que deixam a barriga das mães. A maior
dificuldade do bebê Ezequiel Gomes Medeiros, com 35 dias de vida, é respirar.
Ele tem cardiopatia congênita e é portador de estenose pulmonar, condição que
impede o fluxo sanguíneo de ir do coração para a artéria pulmonar. Ezequiel
espera por uma vaga no Instituto de Cardiologia do Distrito Federal, situado no
Cruzeiro Novo, onde deve passar por sua primeira cirurgia. Atualmente, o bebê
recebe oxigênio por tubos na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital de Base.
A família, moradora do Pistão
Norte, em Taguatinga, se desloca diariamente ao Plano Piloto para ver filho e
relata passar por dificuldades financeiras. “A situação é difícil. Não temos
nem o dinheiro para pagar passagem”, desabafa a mãe e dona de casa Beatriz
Medeiros da Silva, 31. “O quadro é estável, mas crítico. Precisa de uma
cirurgia urgente. Meu filho está morrendo aos poucos”, afirma o pedreiro José
Gomes, 54, que acrescenta que o filho foi transferido para o Hospital de Base
após passar mal: “O corpo dele fica roxo, porque o oxigênio não circula”.
Segundo relatório médico
emitido em 7 de dezembro, o bebê ficou com os lábios arroxeados, chorou e
demonstrou irritabilidade durante a consulta, que terminou com insuficiência
respiratória. O documento ao qual o Jornal de
Brasília teve acesso confirma a necessidade de cirurgia:
“está bem instável hemodinamicamente. Segue apresentando crises de cianose.
Necessita de cirurgia cardíaca”.
O casal conta ter levado o
bebê ao Centro de Saúde 1 de Taguatinga para uma consulta de rotina no primeiro
dia de dezembro. O pai, José Gomes, relata o sofrimento. “Os médicos tiraram a
roupinha dele para fazer os exames e quando colocaram os aparelhos, gelados,
ele começou a chorar e a ficar roxo. Perdeu o fôlego. O médico colocou ele nos
tubos e encaminhou para o Hospital Regional de Ceilândia, no mesmo dia, onde
ele ficou internado até domingo (3)”.
Com a piora no quadro, o bebê
foi encaminhado à UTI do Hospital de Base no dia seguinte (4). “O problema dele
só pode ser resolvido no Instituto do Coração. Já fomos atrás da transferência,
mas o hospital não pode fazer isso porque não tem vaga. Nem previsão”, lamenta
o homem. “Precisamos disso urgentemente. Meu filho já está morrendo aqui e, se
ficar por mais tempo, vai morrer”.
Salva depois de
dias de apreensão
Outra moradora de Ceilândia,
Anny Alícia Santos do Nascimento, é prematura, tem sete dias de vida, e lutou
para não morrer de inanição e infecções no Hospital Regional de Ceilândia. Após
receber medicamentos e comida por um catéter umbilical nos três primeiros dias,
tinha mais quatro para receber um catéter de instalação periférica, cujo uso
minimiza incidência de infecções. A direção do hospital avisou à família que o
insumo, que custa cerca de R$ 400, estava em falta em toda a rede pública. A
madrinha de Anny, Maria da Luz Nunes, fez um post no Facebook pedindo ajuda
para providenciar o catéter.
Em nota, a Secretaria de Saúde
informou que o catéter central de inserção periférica neonatal está em falta
desde 20 de outubro e a previsão de reposição é de até 30 dias após emissão do
empenho. Com a repercussão do caso, a direção fez a implantação do catéter
ontem, prazo limite para que Anny viesse a óbito. “Estou explodindo de
felicidade”, declarou a mãe, Gisele Santos do Nascimento, 35.
Versão oficial
Em nota, a direção do Hospital
de Base do Distrito Federal informou que a cirurgia de Ezequiel deve ser feita
em um hospital conveniado da Secretaria de Saúde e assegurou que a unidade está
ciente da gravidade e prioridade do caso, mas até o momento não há previsão de
realização da cirurgia.
Sem cirurgia, bebês de Ceilândia lutam para sobreviver
Reviewed by Diário de Ceilândia
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quinta-feira, dezembro 14, 2017
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